GÊNESE E TRAJETÓRIA EPISTEMOLÓGICA DOS ESTUDOS ORAIS NO BRASIL: UM TRIBUTO A LUIZ ANTÔNIO MARCUSCHI

Authors:DEYWID WAGNER DE MELO 1, CRISTIANO LESSA DE OLIVEIRA 2, MARIA FRANCISCA OLIVEIRA SANTOS 3,1
Institution1 UFAL - UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS (ALAGOAS/BRASIL), 2 IFAL - INSTITUTO FEDERAL DO BRASIL (ALAGOAS/BRASIL), 3 UNEAL - UNIVERSIDADE ESTADUAL DE ALAGOAS (ALAGOAS/BRASIL)

Abstract

Este simpósio busca reunir trabalhados centrados nos estudos da oralidade/conversação, destacando a gênese e a trajetória epistemológica dessa área no Brasil, tendo como foco a contribuição de Luiz Antônio Marcuschi para esses estudos. Os estudos em língua oral, apesar de apresentarem antigas raízes, na Retórica por exemplo, não foram realizados de forma sistemática, atendendo a toda complexidade da fala. Isso se deu devido ao fato de que só muito recentemente e por intermédio dos avanços tecnológicos é que foi possível capturar a palavra e transformá-la em um objeto plausível de manipulação, descrição, análise e interpretação (BLANCAFORT e VALLS, 2008). Cabe apontar que além das múltiplas funções que a fala apresenta na vida diária, essa modalidade também tem lugar muito importante na vida pública, institucional e religiosa. Nesse sentido, a língua falada não pode ser vista como a língua escrita cheia de erros, mas deve ser entendida como uma modalidade de uso da língua que apresenta mecanismos próprios de funcionamento (MARCUSCHI, 1997). Sendo assim, aparecem, nas últimas décadas, estudos do texto/discurso voltados para questões da oralidade, como as pesquisas do grupo textual-interativo, da Gramática do Português Falado, fazendo surgir um novo olhar com relação à noção de língua, entendida como atividade, além das implicações para o ensino da Língua Portuguesa. Com relação às contribuições teóricas de Marcuschi, ratifica-se a importância desse pesquisador no Brasil, pois suas elucubrações acerca do funcionamento da língua, entendida principalmente como atividade e não um sistema ou forma (MARCUSCHI, 2003), apontam para o fato de que os sentidos não derivam do ponto de vista do sistema, mas devem ser construídos interativamente pelos sujeitos que usam a língua com alguma finalidade. Nessa perspectiva, este Simpósio tem como objetivo reunir pesquisadores brasileiros que desenvolvam trabalhos centrados na linha interativo-conversacional, contemplando a língua na sua modalidade oral de uso.

Keywords: Gênese e trajetória epistemológica, Oralidade, Conversação, Marcuschi


Minicurrículo:

DEYWID WAGNER DE MELO

Graduação em Letras - Português/Inglês pela atual Universidade Estadual de Alagoas. Mestre e Doutor em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas. Tem Especialização em Gestão e Desenvolvimento Universitário (UFAL). Atualmente, é Professor Adjunto e Coordenador do Curso de Letras - Língua Portuguesa da UFAL/Arapiraca. Atua na área de Linguística, Linguística Textual, Teorias e Análise de Gêneros Orais e Escritos, Estudos Conversacionais e Estudos Retóricos do Texto/Discurso.



CRISTIANO LESSA DE OLIVEIRA

Graduação em Letras – Português/Espanhol. Mestrado e Doutorado em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas. Atua na área de Linguística nos seguintes temas: Análise da Conversação; Interação em sala de aula; Gêneros textuais e ensino-aprendizagem de língua; e Ensino de Espanhol para Fins Específicos (EpFE). É professor efetivo de Língua Espanhola e Língua Portuguesa, do Instituto Federal de Alagoas e líder do Grupo de Estudos sobre Práticas Linguageiras (GEPLIN - IFAL/CNPq).



MARIA FRANCISCA OLIVEIRA SANTOS

Possui Mestrado e Doutorado em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco (1998) e Pós-Doutorado, na mesma área, pela Universidade Federal da Bahia (2009). Atualmente é professora titular da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL) e do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Tem experiência na área de Letras e Linguística, com ênfase em Análise da Conversação, Linguística do Texto e Retórica.