POLÍTICA PÚBLICA DE LÍNGUA(S): NEM GRAMÁTICA, NEM TEXTO, NEM GÊNERO, MAS LÍNGUA

Authors:CLAUDIA REGINA CASTELLANOS PFEIFFER 1, MARIZA VIEIRA DA SILVA 2,1, VERLI PETRI 3
Institution1 Unicamp - Universidade Estadual de Campinas (São Paulo/Brasil), 2 UCB - Universidade Católica de Brasília (Brasília/DF), 3 UFSM - Universidade Federal de Santa Maria (Santa Maria/RS)

Abstract

A proposta deste Simpósio é reunir trabalhos que se filiem aos estudos produzidos na área de História das Ideias Linguísticas a partir de sua relação com a Análise de Discurso, levando em conta os diferentes funcionamentos das políticas públicas no tocante às línguas para além da fixidez das antologias, das gramáticas, dos pares opositivos, das dicotomias, dos modelos de textos, das especialidades dos gêneros, etc.. Interessa-nos discutir trabalhos que tomem a língua portuguesa escolar como um objeto complexo de transmissão de saberes linguísticos, que se faz por meio de instrumentos linguísticos de diferentes naturezas. Essa língua, que vimos chamando de língua escolar, um objeto histórico, constitui-se, por um trabalho contraditório de práticas científicas na relação de tensão e sustentação com práticas pedagógicas, que movimentam sentidos na direção de sua repetição e/ou deslocamento. Isso porque no espaço escolar, as relações entre línguas, além de se darem enquanto relações de sentido e de força, também comparecem, enquanto efeito imaginário, como se houvesse uma única e homogênea língua. Quase invariavelmente, poderíamos dizer, o discurso sobre a língua – sustentado pelo saber e pelas instituições e que ganha corpo enquanto discurso especializado e enquanto discurso cotidiano – normatiza e regula a língua e nossa relação com ela, naturalizando e evidenciando sua homogeneidade; porém, ao mesmo tempo, e contraditoriamente, clama-se pela diversidade, pelo respeito à diferença, à singularidade. Propomos, pois, colocar em debate as políticas e práticas científico-pedagógicas que se sustentam sob a evidência de polarizações (gramática X usos; gramática X texto; texto X gênero; norma X variedade; elite X popular; coerção X liberdade) e de estratégias de ensino unívocas (o ensino da língua como comunicação, como interação, por meio do texto, dos gêneros) e que acabam por apagar aquilo que faz parte do funcionamento do sujeito: seu transitar por linguagens.

Keywords: Política de Línguas , Língua Escolar , Discurso , História das Ideias Linguísticas


Minicurrículo:

CLAUDIA REGINA CASTELLANOS PFEIFFER

Bacharel, mestre e doutora em Linguística na Universidade Estadual de Campinas, exerce, desde 1996, suas atividades científico-acadêmicas no Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb/Nudecri/Unicamp), na carreira de Pesquisador. É professor pleno, na área da História das Ideias Linguísticas, do Programa de Pós-Graduação em Linguística, no IEL/Unicamp. Especializada em Análise de Discurso, atua, principalmente, nas seguintes linhas: saber urbano e linguagem, políticas públicas, história das ideias linguísticas, divulgação científica.



MARIZA VIEIRA DA SILVA

Doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (1998), participou de dois estágios pós-doutorais em História das Ideias Linguísticas na École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines em Lyon-França. Seus estudos, pesquisas e publicações refletem sobre a relação entre linguagem-educação-sociedade e, mais especificamente, entre língua-sujeito-escola, sob a perspectiva teórica da Análise de Discurso. Pesquisadora vinculada ao Laboratório de Estudos Urbanos (Labeurb/Nudecri/Unicamp) e professora aposentada da Universidade Católica de Brasília.



VERLI PETRI

Professora Associada da Universidade Federal de Santa Maria, é bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. Trabalha na área de Teorias do Texto e do Discurso, atuando principalmente nos seguintes temas: análise de discurso, ensino de língua estrangeira, língua portuguesa, discurso literário, constituição do sujeito, instrumentos linguísticos e história das ideias linguísticas. Tem uma produção acadêmica reconhecida, com destaque especial à publicação de artigos e de capítulos de livros.