“MUITO MAIS É O QUE NOS UNE QUE AQUILO QUE NOS SEPARA”: PENSAR O PORTUGUÊS LÍNGUA DE HERANÇA NA CONFLUÊNCIA DE TEORIAS, GEOGRAFIAS E PRÁTICAS

Authors:TERESA S. FERREIRA 1, SÍLVIA MELO-PFEIFER 2, ANA SOUZA 3
Institution1 UA - Universidade de Aveiro (Portugal), 2 UHH - Universidade de Hamburgo (Alemanha), 3 OBU - Universidade Oxford Brookes (Inglaterra)

Abstract

A migração de um indivíduo ou de uma família para um contexto linguístico-cultural diferente do contexto de partida implica normalmente também a migração de uma língua e/ou de uma cultura, a alteração do estatuto destas para minoritárias no novo contexto, a circunscrição do seu uso e expressão à esfera familiar, bem como o seu convívio, contacto e interação com uma ou mais línguas e culturas que detêm um estatuto maioritário naquele novo contexto geográfico. Se os migrantes têm ou vêm a ter filhos, deparam-se com a problemática da transmissão e manutenção da língua-cultura de herança, havendo vários cenários possíveis e reais, desde o seu abandono em detrimento da(s) língua(s)-cultura(s) de acolhimento até à procura de a manter tão viva quanto o era/é no local de origem – de entre outros cenários intermédios.

Vários são os desafios que a transmissão, manutenção, ensino e aquisição/aprendizagem da língua portuguesa em contextos diaspóricos coloca aos diversos atores sociais envolvidos. Os estudos sobre o Português como Língua de Herança (PLH/POLH) têm sido desenvolvidos em diferentes localizações espaciais, disciplinares e teórico-concetuais e no quadro de diferentes abordagens empíricas, em termos de formação de professores e de apropriação da língua portuguesa por parte dos falantes de herança. Esta deslocalização da produção do conhecimento acerca do PLH/POLH tem contribuído para a heterogeneidade e para uma certa dispersão desta área de estudo e para uma perceção dos seus resultados como específicos de variedades nacionais do Português (geralmente do Brasil ou de Portugal), pouco condizente com/conducente a uma compreensão pluricêntrica desta língua. São, pois, objetivos deste simpósio:

- refletir acerca de teorias e práticas de investigação, ensino e aquisição/aprendizagem em torno da pluricentricidade do PLH/POLH;

- compreender as transversalidades de posicionamentos teóricos e disciplinares acerca do PLH/POLH;

- aproximar contextos de investigação e práticas de transmissão do PLH/POLH.

Keywords: Português como Língua de Herança, pluricentricidade da língua portuguesa, transversalidade teórica e disciplinar, práticas de transmissão linguística, aquisição do Português na diáspora


Minicurrículo:

TERESA S. FERREIRA

Teresa S. FERREIRA é doutorada em Didática de Português como Língua Não Materna. É coautora e coordenadora da equipa de autoras de materiais didáticos destinados ao ensino de Português como Língua de Herança (manuais Lado a Lado e gramáticas pedagógicas, Porto Editora). É a formadora do curso de e-learning “Didática do Português Língua de Herança” e autora de provas de certificação de nível de proficiência em Português (Camões, I.P.).



SÍLVIA MELO-PFEIFER

Sílvia MELO-PFEIFER é Professora Associada de Didática de Línguas Românicas no Departamento de Educação da Universidade de Hamburgo. Coordenou o Ensino Português na Alemanha, entre 2010 e 2013, junto da Embaixada de Portugal em Berlim, pelo Camões, Instituto da Cooperação e da Língua. É coordenadora da obra Didática do Português Língua de Herança (LIDEL, 2016).



ANA SOUZA

Ana SOUZA é professora na Universidade Oxford Brookes, Inglaterra. Atua no Programa de Graduação e Pós-Graduação no Ensino de Língua Inglesa, além de coordenar o curso de pós-graduação no Ensino de Alunos Multilíngues. É organizadora do livro Português como Língua de Herança em Londres: recortes em casa, na igreja e na escola (Pontes, 2016) e coorganizadora do livro O POLH na Europa – Português como Língua de Herança (J.N.Paquet Books, 2017).