BELLE ÉPOQUE, NOVAS SENSIBILIDADES: MODERNIDADE, TÉCNICA, CULTURA URBANA, LITERATURA E OUTRAS ARTES.

Authors:FÁTIMA MARIA DE OLIVEIRA 3,1, CARMEM LUCIA NEGREIROS DE FIGUEIREDO 1, ROSA MARIA DE CARVALHO GENS 2
Institution1 UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro/Brasil), 2 UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro/Brasil), 3 CEFET/RJ - Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Rio de Janeiro/Brasil)

Abstract

Este simpósio pretende problematizar a produção literária, cultural e artística da Belle Époque, entre o final do século XIX e início do século XX, quando os meios de transporte, comunicação e distribuição, combinados à distribuição voraz de mercadorias, veículos e sujeitos, reconfiguraram as práticas de mobilidade e circulação. Os chamados “belos tempos” têm em Paris a capital cultural do mundo, cujos símbolos máximos do progresso técnico-científico, entre outros, eram representados pela Torre Eiffel e pela invenção do cinema. O cenário mais representativo desse processo, no Brasil, é o Rio de Janeiro.

Os escritores-intelectuais não estavam alheios às mudanças operadas nas estruturas perceptivas do público diante do horizonte técnico, que torna o olhar  instável, movente, disperso nas lentes da estereoscopia, panorama, fotografia e, depois, cinema. Cada um, a sua maneira, e com resultados estéticos variados, propunha e incorporava na escrita inovações que dialogavam com as novas técnicas e formas de percepção.

Ao mesmo tempo, a Belle Époque  marca-se pelo acirramento do autoritarismo e violência, inflamados por discursos da ordem, civilização, ciência e nacionalismo. Escritores, artistas e pensadores discutem sobre os projetos de nação a serem implementados pelo regime republicano e dividem-se em torno de temas como  a alfabetização e instrução básica, compreendidas como prática emancipatória; saneamento e higienização para civilizar o país com modernização tecnológica e científica. E propõem projetos políticos polêmicos no desejo de branqueamento de práticas culturais simultaneamente à retomada de pesquisas folclóricas e de indagação do papel de descendentes africanos e da mestiçagem na construção do Brasil.

Longe de ser diletantismo e sorriso da sociedade como cópia imperfeita do mundo parisiense, a vida literária da Belle Époque configura-se complexa porque nela os intelectuais e literatos produziram questões fundamentais sobre arte, literatura e cultura. Convidamos os pesquisadores a problematizar a tensa, rica e angustiante Belle Époque.

Keywords: Belle Époque, modernidade, técnica, cultura urbana, literatura


Minicurrículo:

FÁTIMA MARIA DE OLIVEIRA

Professora titular de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do CEFET/RJ.  Mestre e Doutora em Estudos de Literatura pela PUC-Rio. Autora do livro Correspondência de Lima Barreto: à roda do quarto, no palco das letras (Ed. Caetés, 2007).  Vem publicando regularmente artigos sobre a correspondência e o diário de Lima Barreto. É integrante do LABELLE.



CARMEM LUCIA NEGREIROS DE FIGUEIREDO

Professora associada da UERJ, Mestre e Doutora em Teoria da Literatura pela UFRJ, com estágio pós-doutoral na USP. Bolsista Prociência FAPERJ/UERJ, é Cientista do Nosso Estado e pesquisadora CNPq. Coordena o LABELLE – Laboratório de estudos de literatura e cultura da Belle Époque e o Grupo de Pesquisa de mesmo nome. Autora de diversos artigos e livros, o último é o volume Lima Barreto, caminhos da criação (EDUSP, 2017)

 



ROSA MARIA DE CARVALHO GENS
Professora associada (aposentada) da Faculdade de Letras da UFRJ. Doutora em Literatura Brasileira (UFRJ), com tese Acadêmicos e esquecidos: ficção brasileira nas primeiras décadas do século XX. Fez parte da equipe da Biblioteca Carioca, setor de publicações da Secretaria Municipal de Cultura. É membro do LABELLE e participou da organização do volume Belle Époque: crítica, arte e cultura (Intermeios, FAPERJ, 2016) com Carmem Negreiros e Fátima Oliveira.