DESCRIÇÃO FUNCIONAL DA GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS

Authors:ROBERTO GOMES CAMACHO 1, EDSON ROSA FRANCISCO SOUZA 1
Institution1 UNESP - UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA (SÃO PAULO/BRASIL)

Abstract

No amplo espectro do que se divisa por ‘teoria funcionalista’, reconhece-se um conjunto diversificado de modelos: a Gramática Discursivo-Funcional (Hengeveld & Mackenzie 2008), a Gramática do Papel e da Referência (Van Valin & Lapolla 1997), a Gramática de Construções (Goldberg 1995), a Gramática Cognitiva (Langacker 1987), a Linguística Centrada no Uso (Traugott & Trousdale, 2013) e a Linguística Sistêmico-Funcional (Halliday & Matthiessen 2004). Todos esses modelos funcionais, por mais distintos que sejam, podem ser identificados por um conjunto de critérios que compartilham: (i) a primazia da função comunicativa: a linguagem é em primeiro lugar e acima de tudo um meio de comunicação humana em contextos socioculturais e psicológicos de uso; (ii) a natureza não arbitrária e não autossuficiente do sistema gramatical: o sistema linguístico é não autossuficiente e, portanto, não autônomo em relação aos fatores externos; (iii) a rejeição a uma gramática nuclear como postulado básico e a adoção de uma arquitetura monoestratal para a sentença, que, paralelamente, rejeita tanto a organização da sintaxe em estruturas superficiais e estruturas profundas e quanto a aplicação de regras de movimento.

É, em primeiro lugar, por esses critérios compartilhados que devem orientar-se as contribuições submetidas a este simpósio, não importa o enfoque que adotem dentro do espectro funcionalista, guiando-se, em termos mais gerais, por uma concepção de língua que, em nível teórico, associe uma interação dos princípios constitutivos da estrutura morfossintática com os princípios cognitivos, pragmáticos e semânticos do processamento. O quadro de referência deve privilegiar, portanto, uma concepção de língua em que se considere o produto da atividade verbal com base nas marcas da produção que a situação discursiva imprime nos enunciados, traço que identifica as diferentes correntes funcionalistas.

Keywords: funcionalismo, pragmática; , ; semântica, morfossintaxe, discurso


Minicurrículo:

ROBERTO GOMES CAMACHO

Licenciatura em Letras pela UNESP-SJRio Preto (1973), mestrado em Linguística pela UNICAMP (1978), doutorado em Linguistica e Língua Portuguesa pela UNESP-Araraquara (1984), pós-doutorado em Gramática Funcional pela Universidade de Amsterdã (2005), Livre-Docência pela UNESP (2009) e pós-doutorado em Gramática Discursivo-Funcional pelo ILTEC-Lisboa (2011). Atualmente é Professor Adjunto da UNESP. b bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, nível 1C. E-mail: roberto.camacho@unesp.br



EDSON ROSA FRANCISCO SOUZA

Licenciatura em Letras (2001) e Mestrado em Estudos Linguísticos (2004) pela UNESP – São José do Rio Preto 2004. Doutorado em Linguística pelo IEL/UNICAMP (2009). Doutorado-sanduíche na Universiteit van Amsterdam (Holanda), na área de Gramática Discursivo-Funcional. Professor Adjunto UFMS, Três Lagoas e atualmente Assistente Doutor na UNESP/São José do Rio Preto.