USO LINGUÍSTICO, COGNIÇÃO E INTERAÇÃO NO PB – UMA ABORDAGEM CENTRADA NO USO

Authors:MARIANGELA RIOS DE OLIVEIRA 1,3, MARIA ANGÉLICA FURTADO DA CUNHA 2,3
Institution1 UFF - Universidade Federal Fluminense (Rio de Janeiro/Brasil), 2 UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Rio Grande do Norte/Brasil), 3 CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Brasília/Brasil)

Abstract

O simpósio reúne pesquisas no nível textual-discursivo e morfossintático do português do Brasil (PB), com base em pressupostos teóricos situados na interface dos estudos funcionalistas e cognitivistas, na linha de Traugott e Trousdale (2013) e Bybee (2010; 2015), entre outros. Parte-se da assunção de que pressões de três ordens impactam e moldam os usos linguísticos, sendo responsáveis por sua variabilidade e mudança: a) as estruturais, relativas à própria organização gramatical; b) as histórico-sociais, atinentes às condições pragmáticas que moldam as interações; c) as cognitivas, concernentes aos cinco processos de domínio geral, nos termos de Bybee (2010): categorização, chunking, analogização, memorização enriquecida e associação transmodal. Nessa perspectiva, destacam-se propriedades de natureza textual-discursiva e sua relação com a mudança linguística no PB, com foco no cline contextual assumido por Diewald e Smirnova (2012): fonte/típico > atípico > crítico > isolado > paradigmatizado. Estudos translinguísticos (GIVÓN, 1979; BYBEE et al, 1994) têm demonstrado que há trajetórias universais que levam à emergência de novas construções gramaticais. Essas trajetórias são universais porque o desenvolvimento das construções ao longo delas ocorre independentemente, em línguas não aparentadas, e podem ser explicadas em termos de processos cognitivos e comunicativos, como automatização, habituação, descontextualização, categorização, inferenciação pragmática, dentre outros. Tais processos se dão no uso comunicativo de expressões linguísticas ao longo do tempo e, portanto, têm a ver com o modo como os falantes embalam suas conceitualizações visando à comunicação interpessoal. Logo, os verdadeiros mecanismos que motivam a mudança refletem processos cognitivos e interacionais básicos que permeiam o uso real da língua.

Keywords: Língua, Cognição, Interação, Variação, Mudança


Minicurrículo:

MARIANGELA RIOS DE OLIVEIRA

Professora titular de Língua Portuguesa da UFF. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da UFF. Pesquisadora do CNPq e investigadora colaboradora da FCT. Líder do Grupo de Estudos Discurso & Gramática. Ex-presidente da Abralin e atual conselheira desta entidade. Sua produção intelectual, na área da Linguística Funcional Centrada no Uso, contempla estudos sobre a morfossintaxe do português (variabilidade e mudança), na perspectiva da gramática de construções.



MARIA ANGÉLICA FURTADO DA CUNHA

Professora titular de Linguística da UFRN. Docente permanente do Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da UFRN. Pesquisadora do CNPq. Líder do Grupo de Estudos Discurso & Gramática da UFRN. Co-organizadora de livros e autora de vários capítulos e artigos sobre gramática de construções, estrutura argumental, transitividade, negação, e a relação entre a Linguística Funcional Centrada no Uso e o ensino de gramática.