TRADUTORAS E INTÉRPRETES NOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA: SÉCULOS XV A XIX

Authors:LUCIANA CARVALHO FONSECA 1, JOHN MILTON 1, MARÍA INÉS ARRIZABALAGA 2
Institution1 USP - Universidade de São Paulo (São Paulo, Brasil), 2 UNC - Universidad Nacional de Córdoba (Córdoba, Argentina)

Abstract

Este simpósio reúne trabalhos sobre a vida, obra e legado de mulheres tradutoras e intérpretes em língua portuguesa e/ou territórios portugueses do século XVI ao XIX, pois a tradução, oral e escrita, desempenhou papeis significativos no projeto colonizador português desde o século XV e, já no século XIX, por meio da imprensa, na formação das literaturas nacionais e na luta pelos direitos das mulheres, a saber:

O modelo colonizador português incluía o emprego de intermediários linguísticos, e seu sucesso foi largamente atribuído ao trabalho de intérpretes. As mulheres indígenas e macaenses desempenharam um papel significativo como intérpretes na empresa colonial portuguesa, entretanto, há poucos registros acerca de seus atos de tradução.

A ampla publicação de traduções em jornais brasileiros influenciou significativamente o nascimento da literatura brasileira. Por isso, uma vez que as mulheres também traduziram prolificamente, pode-se argumentar que elas também desempenharam um papel na criação da literatura do país. Embora o grupo de mulheres que traduziam para imprensa, e também literatura e teatro, era, no Brasil, formado majoritariamente por mulheres brancas e burguesas, vale ressaltar elas tinham status muito inferior ao dos homens nas sociedades patriarcais portuguesa e brasileira, nas quais as Letras eram dominadas por homens, fazendo com que a tradução fosse considerada “acima das habilidades do bello sexo ou sexo débil".

O número de mulheres que traduziam e também abriram estabelecimentos de ensino – a exemplo de Nísia Floresta e Florinda d’Oliveira Fernandes – e fundaram jornais não pode ser desprezado, entre elas: a cabo-verdiana Antónia Gertrudes Pusich que, em 1849, fundou a Assembleia Literária e posteriormente mais dois outros jornais, A Cruzada e A Beneficencia, e a tradutora argentina, Joana Paula Manso de Noronha no Brasil, fundadora do Jornal das Senhoras em 1819.

Keywords: mulheres, tradução, interpretação, língua portuguesa, historiografia


Minicurrículo:

LUCIANA CARVALHO FONSECA

Luciana Carvalho Fonseca é professora doutora do Departamento de Letras Modernas e do programa de pós-graduação em Estudos da Tradução da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.



JOHN MILTON
John Milton é professor livre docente do Departamento de Letras Modernas e dos programas de pós-graduação em Estudos da Tradução e em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

MARÍA INÉS ARRIZABALAGA

María Inés Arrizabalaga professora doutora da Faculdade de Línguas da Universidade Nacional de Córdoboa na área de Estudos da Tradução, Semiótica e Literatura Comparada.