EXPERIÊNCIAS DE TRADUÇÃO ITALIANO/PORTUGUÊS: ESTRATÉGIAS E PROCEDIMENTOS

Authors:SALVADOR PIPPA 1, VANESSA RIBEIRO CASTAGNA 2, CARLA VALERIA DE SOUZA FARIA 2
Institution1 Uniroma3 - Università Roma Tre (Itália), 2 Unive - Università Ca´ Foscari di Venezia (Itália)

Abstract

A partir dos anos 50 do século XX, como aponta Munday (2016), inúmeras abordagens foram propostas com várias listas taxonômicas na tentativa de categorizar e descrever o que acontece na prática de tradução. Apenas para mencionar Vinay e Darbelnet (1958), devemos lembrar que com base nas diferenças que marcam um par de línguas, podem ser identificadas "estratégias" (entendidas como uma abordagem geral do tradutor, por exemplo, em direção a uma tradução literal ou livre, ao texto-fonte ou ao texto-alvo, a uma estrangeirização ou domesticação) e "procedimentos" (entendidos como técnicas ou métodos usados para lidar com certas especificidades ou problemas no texto: por exemplo, uso de empréstimos da língua-fonte, decalques, transposições, modulações, adaptação, perdas/compensações, acréscimo de explicações ou notas de rodapé etc.).

Outros modelos, ao longo do tempo, optaram por uma abordagem orientada não para o produto da tradução mas para o processo e, portanto, basearam-se na observação, análise e explicação de processos cognitivos (Hurtado Albir e Alves 2009) ou na leitura/compreensão do texto-fonte, na "deverbalização" e reformulação na língua-alvo (Lederer 2003).

A análise do processo tradutório também se beneficiou do uso de think-aloud protocols (TAPs) nos quais o tradutor verbaliza seus pensamentos durante ou imediatamente após a tradução. Hoje, como suporte desta modalidade, existem muitos outros métodos experimentais:

- gravação de vídeo e observação dos participantes;

- uso de entrevistas e/ou questionários pré e pós-teste;

- uso do software Translog na Copenhagen Business School (Jakobsen e Schou 1999, Hansen 2006, Carl 2012), que registra os toques dados pelo tradutor no teclado do computador;

- uso de rastreamento ocular (O'Brien 2011, Saldanha e O'Brien 2013: 136-45), que registra o foco do olhar no texto.

A partir dessas premissas, este simpósio visa recolher contribuições teóricas e experiências práticas de tradução italiano/português e vice-versa, focando na análise linguística e/ou cognitiva do texto traduzido.

Keywords: tradução, análise contrastiva, processo tradutório, estratégias tradutórias, procedimentos tradutórios


Minicurrículo:

SALVADOR PIPPA

É pesquisador de Língua e tradução portuguesa e brasileira na Universidade Roma Tre. Também é intérprete de conferência entre línguas românicas (português, francês, espanhol e italiano). Os seus interesses de pesquisa abrangem a avaliação da qualidade e a aptidão na interpretação simultânea, a interferência linguística na interpretação e na tradução entre o português e o italiano, o ensino do português brasileiro como língua estrangeira e a intercompreensão entre línguas românicas.



VANESSA RIBEIRO CASTAGNA

É doutora em Estudos Ibéricos e Anglo-Americanos e pesquisadora de Língua portuguesa e brasileira – Língua e Tradução na Universidade Ca’ Foscari de Veneza. Os seus principais interesses de pesquisa concernem ao ensino do português como língua estrangeira, à tradução, quer como prática quer como objeto de estudo e teorização, e à intercompreensão entre línguas românicas.



CARLA VALERIA DE SOUZA FARIA

É doutora em Linguística pela UFRJ e professora nas disciplinas Lingua Portoghese e Brasiliana II na Universidade Ca´ Foscari de Veneza e Lingua e Traduzione Portoghese II e III na Universidade de Trieste.

Os seus principais interesses concentram-se no ensino de português como língua estrangeira, nos aspectos contrastivos da tradução italiano-português e na teoria da tradução para as línguas de sinais.